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Mastite: é preciso entendê-la para controlá-la
A mastite, doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira, causa perdas muito significativas por reduzir a produção de leite e alterar sua qualidade. No Brasil, a legislação estabelece como limite de CCS do leite, a média geométrica trimestral máxima de 500.000 cels/mL. Por tudo isto, é preciso controlá-la e para tal, é preciso entendê-la.
Ela pode ser classificada quanto à forma e, em função dos tipos de patógenos, também quanto à transmissão. Quanto à forma, ela pode ser classificada em clínica e subclínica e independentemente desta classificação, há prejuízos significativos. Enquanto a forma clínica, caracterizada por edema (inchaço da glândula mamária), dor, calor e presença de grumos ou flóculos no leite pelo teste da caneca, é responsável por 20 a 30% destes prejuízos, a mastite subclínica está relacionada a 70 a 80% das perdas, principalmente por diminuição na produção de leite.
A realização do teste da caneca em todas as vacas, em todos os quartos mamários, em todas as ordenhas e todos os dias é fundamental para identificar precocemente a mastite clínica. Por outro lado, a mastite subclínica é inaparente, ou seja, a vaca não dá sinal e por isto, muitas vezes, os animais infectados não são identificados, a doença se dissemina no rebanho e as perdas não são notadas. Estamos na verdade, falando de um inimigo invisível, que está presente no rebanho e que por não ser controlada, acaba comprometendo muito a rentabilidade da fazenda pelo aumento da CCS.
A identificação de vacas com mastite subclínica é feita por meio da CCS do leite individual de todas as vacas, todos os meses ou ainda pelo California Mastitis Test (CMT), quando for mais difícil fazer a CCS individual. Quanto maior a CCS do leite do tanque (CCSLT), maior é o percentual de quartos mamários infectados e maior é a redução na produção de leite (Quadro 1).

Fonte: Bramley et al. (1996) - National Mastitis Council
Em relação à transmissão e em função dos patógenos envolvidos, a mastite pode ser ambiental ou contagiosa. No caso da mastite ambiental, os patógenos envolvidos estão associados ao ambiente da vaca e a transmissão ocorre no intervalo entre ordenhas. Como as vacas se contaminam no intervalo entre as ordenhas, o pré-dipping bem feito tem uma importância muito grande na descontaminação dos tetos antes da ordenha.
Entre as bactérias ambientais importantes, podemos destacar algumas como, por exemplo, Escherichia coli, Klebsiella spp., Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, entre outros.
Em relação à mastite causada por patógenos contagiosos, a chamada mastite contagiosa, a transmissão ocorre durante a ordenha e neste caso, o pós-dipping é muito importante para descontaminar a pele do teto após a ordenha. Entre os patógenos associados à mastite contagiosa, que geralmente é subclínica (inaparente), destacam-se: Staphylococcus aureus, Staphylococcus não-aureus (SNA), Streptococcus agalactiae, Mycoplasma bovis e Streptococcus dysgalactiae que também pode ser ambiental, entre outros.
É importante entender que a mastite está associada a fatores relacionados à vaca (hospedeiro), ao ambiente e aos microrganismos. Em relação à vaca, é fundamental garantir o bem-estar animal, a nutrição equilibrada, os programas sanitário e de boas práticas agropecuárias adequados (manejo), além de medidas de biosseguridade. A aquisição de animais de outros rebanhos sem avaliar previamente o histórico de CCS, se são portadores de patógenos contagiosos e/ou ambientais e a sanidade (se são vacinados e negativos para várias doenças) aumenta muito o risco de introdução de animais com mastite crônica, portadores de microrganismos muito contagiosos, como, por exemplo, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae e Mycoplasma bovis, e de doenças como brucelose, tuberculose, entre outras.
Em relação ao ambiente, garantir instalações limpas, secas e confortáveis reduz a exposição a patógenos ambientais. Camas renovadas, ventilação adequada, densidade correta e piquetes com sombra e água de qualidade são medidas básicas que impactam diretamente a saúde da glândula mamária e reduz os casos de mastite.
Sobre os microrganismos, a partir do diagnóstico, ações específicas de prevenção e de controle devem ser implementadas. O controle exige conhecimento dos patógenos (contagiosos × ambientais) e dos resultados de CCS, e ação coordenada sobre a tríade vaca-ambiente-patógeno para que riscos sejam reduzidos ou eliminados.
Por isto, o primeiro passo é entender a mastite de forma mais ampla e o segundo para o seu controle, é a atitude! Para o controle, precisamos, portanto, de informação, de dados e de ação! É possível e depende de todos nós!
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