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Importância do uso de dietas antioxidantes para Vacas Leiteiras: um novo olhar sobre saúde, reprodução e produtividade
A evolução da genética na pecuária leiteira nos últimos 100 anos buscou de forma muito eficiente a melhora na produtividade, produção de sólidos e principalmente a eficiência nutricional dos rebanhos. Porém a evolução normalmente paga um preço elevado, alguns pontos acabam sendo exacerbados como por exemplo a demanda metabólica desses animais.
Quando pensamos em aumentar a produção de leite, normalmente lembramos de energia, amido, proteína bruta, PDR, PNDR, fibra fisicamente efetiva, vitaminas e minerais. Entretanto, existe um componente da nutrição que, muitas vezes, passa despercebido e que pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma vaca durante a lactação, principalmente quando falamos de rebanhos com alto desempenho: o equilíbrio antioxidante da dieta.
Nos últimos anos, diversos estudos demonstraram que o estresse oxidativo está relacionado à queda de desempenho produtivo e reprodutivo, principalmente durante o período de transição destes animais. Dessa forma, a chamada dieta antioxidante deixou de ser apenas um conceito acadêmico para tornar-se uma importante ferramenta dentro das fazendas leiteiras, principalmente em momentos chaves como vacas em balanço nutricional negativo e momentos de desafio como criação de animais jovens.
O que é o estresse oxidativo?
Durante o metabolismo normal, todas as células produzem moléculas altamente reativas chamadas radicais livres ou espécies reativas de oxigênio (ROS). Em
pequenas quantidades, essas moléculas são importantes para diversos processos fisiológicos, sendo que o nosso organismo no papel do sistema antioxidante endógeno, ou seja o que é produzido por nós e nesse caso pela vaca consegue atender de forma eficiente este problema. O problema surge quando sua produção ultrapassa a capacidade de defesa do organismo. Nesse momento ocorre o chamado estresse oxidativo, situação em que os radicais livres passam a danificar membranas celulares, proteínas, enzimas e até mesmo o DNA das células.
Nas vacas leiteiras, essa condição é especialmente intensa nas últimas semanas antes do parto e no início da lactação, período em que o metabolismo sofre profundas alterações para sustentar a produção de leite, momento onde os animais apresentam baixa ingestão de matéria seca, desafio metabólico intenso, além de outros momento de estresse como desmama, estresse térmico e situações relacionadas a enfermidades.
Por que isso é importante na fazenda?
Um animal apresentando situações onde temos uma alto teor de radicais livres e consequentemente estresse oxidativo, apresenta maior dificuldade em enfrentar os desafios do pós-parto. As consequências podem incluir retenção de placenta, metrite, mastite, cetose, deslocamento de abomaso, redução da fertilidade, menor produção de leite e pior resposta imunológica. Além disso em outras categorias a resposta aos tratamentos também podem estar afetadas.

Como funciona uma dieta antioxidante?
O organismo possui um sofisticado sistema de defesa composto por enzimas e nutrientes capazes de neutralizar essas moléculas antes que provoquem danos. Entre os principais nutrientes antioxidantes destacam-se vitamina E, selênio, zinco, cobre, manganês, vitamina C e compostos vegetais naturais, como flavonoides, polifenóis, taninos e óleos essenciais.
Muito além dos aditivos:
Importante ressaltar que fornecer uma dieta antioxidante seja no período de transição, criação de animais jovens ou em vacas de lactação de alto desafio metabólico, não significa simplesmente adicionar vitamina E e outros aditivos ao concentrado.
É necessário fornecer silagens de qualidade, controlar contaminações por micotoxinas, manter estabilidade da TMR, balancear corretamente a dieta, oferecer conforto térmico e reduzir situações de estresse.
O período de transição merece atenção especial:
Apesar de ser uma situação importante em vários momento da vida produtiva destes animais, porém é identificado que os maiores benefícios são observados entre 30 dias pré parto e os primeiros 30 dias de lactação, quando a produção de radicais livres aumenta e a capacidade antioxidante da vaca diminui em virtude principalmente do balanço nutricional negativo deste animais.
Resultados observados na prática:
Propriedades que utilizam programas nutricionais voltados ao controle do estresse oxidativo frequentemente apresentam menor incidência de doenças metabólicas, melhor fertilidade, menor descarte involuntário, maior persistência da lactação, melhor qualidade do leite e maior longevidade do rebanho.
Dentre os principais ingredientes utilizados estão o uso de minerais orgânicos, aminoácidos, taninos e bioativos funcionais principalmente nas dietas pré parto.
Considerações finais:
A dieta antioxidante representa uma estratégia moderna para integrar nutrição, saúde e reprodução. Mais do que suplementar vitaminas e minerais, seu objetivo é fortalecer os mecanismos naturais de defesa da vaca, proporcionando maior produtividade, bem-estar e rentabilidade ao produtor.
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