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Condição corporal na secagem: preparando a vaca para a próxima lactação
O momento da secagem representa muito mais do que simplesmente interromper a ordenha. É uma fase estratégica para avaliar como a vaca está encerrando sua lactação e, principalmente, como está se preparando para o próximo parto. Entre as ferramentas disponíveis mais eficiente e de melhor custo benefício, o Escore de Condição Corporal (ECC) se destaca por ser simples, rápido e praticamente sem custo.
Em vacas leiteiras, o ECC normalmente é avaliado em uma escala de 1 a 5, sendo os menores valores associados a animais magros e os maiores ao excesso de reservas corporais. Como referência prática, busca-se geralmente uma condição próxima de 3,25 a 3,50 na secagem, evitando principalmente animais excessivamente magros ou gordos. O ponto fundamental é entender que o período seco não deve ser utilizado para promover grandes correções na condição corporal. O ideal é que a vaca chegue à secagem em condição adequada e apresente pouca variação até o parto. Assim, os ajustes necessários devem começar ainda durante a lactação.
O problema dos extremos
Vacas excessivamente gordas não estão necessariamente mais preparadas para a próxima lactação. Pelo contrário, esses animais podem apresentar maior redução do consumo de matéria seca próximo ao parto e, consequentemente, maior intensidade do balanço energético negativo após o parto. Nesse cenário ocorre maior mobilização das reservas de gordura, aumento dos ácidos graxos circulantes e maior desafio para o metabolismo hepático. Como consequência,
pode haver maior predisposição a diversos problemas metabólicos, redução do consumo, comprometimento da resposta imunológica e pior desempenho produtivo e reprodutivo.
No outro extremo, vacas muito magras chegam ao período seco com reservas insuficientes para enfrentar as elevadas exigências do início da lactação. Entretanto, tentar recuperar grandes quantidades de condição corporal durante o período seco também não é desejável.
Uma regra simples resume esse conceito: “A condição corporal deve ser construída durante a lactação e preservada durante o período seco.”
O ECC como ferramenta de gestão
Mais do que avaliar individualmente cada vaca, o ECC na secagem pode revelar problemas no manejo do próprio rebanho. Muitas vacas gordas podem indicar excesso de energia para animais em final de lactação, formação inadequada dos lotes ou intervalos entre partos prolongados. Já uma elevada frequência de vacas magras pode estar relacionada a problemas nutricionais, sanitários, competição no cocho ou dificuldade de recuperação das reservas corporais.
Uma estratégia prática é registrar o ECC no momento da secagem e repetir a avaliação próximo ao parto. Assim, além de saber a condição da vaca, torna-se possível acompanhar sua variação durante o período seco.
Uma avaliação mostra uma fotografia. Duas avaliações contam uma história.
O objetivo é que a vaca chegue ao parto com condição semelhante àquela apresentada na secagem, evitando grandes ganhos ou perdas de reservas corporais. Pois sabemos que após ao parto fisiologicamente esta vaca irá diminuir consumo em virtude do Balanço nutricional negativo, com queda considerável do ECC. Em uma pecuária leiteira cada vez mais tecnológica, algumas ferramentas importantes continuam extremamente simples. Avaliar corretamente o ECC leva poucos segundos e pode antecipar problemas que custarão caro após o parto.
O sucesso da próxima lactação não começa no parto. Ele começa ainda na lactação anterior — e a secagem é um excelente momento para verificar se a vaca está realmente preparada.
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