- Início
- Dicas
- Nutrição infantil
- Nutrição infantil: alimentação, desenvolvimento, rotina e dúvidas recorrentes dos pais
Nutrição infantil: alimentação, desenvolvimento, rotina e dúvidas recorrentes dos pais
Você sabia que a nutrição infantil é muito mais do que o ato de alimentar?
Ela representa a base sobre a qual o futuro da criança será construído. De acordo com o conceito dos 1.000 dias, que engloba o período da gestação até o segundo ano de vida, as escolhas e hábitos alimentares formados na infância podem impactar diretamente a saúde e prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas no futuro, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares1.
Recentemente, este conceito teve o seu intervalo ampliado, incluindo a fase que antecede a gestação e a idade pré-escolar. Assim, o novo período totaliza 2.200 dias de vida, com acréscimo dos 100 dias da preconcepção e dos 1.100 dias que abrangem do segundo ao quinto ano de vida1, refletindo ainda mais a importância de um olhar especial e dedicado aos impactos da nutrição no início da vida.
A importância e os pilares da alimentação na infância
Como visto anteriormente, estabelecer um padrão de alimentação saudável na infância, principalmente nos primeiros cinco anos de vida, é determinante para prevenir doenças crônicas, além de promover o crescimento e a saúde ao longo da vida1,2,3.
A nutrição adequada na infância favorece o desenvolvimento cognitivo, reduz o risco de doenças e impacta positivamente a saúde metabólica futura. Além disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que a alimentação adequada na infância1:
- contribui para o desenvolvimento neuropsicomotor;
- fortalece o sistema imunológico;
- influencia a formação de hábitos alimentares ao longo da vida.
Neste sentido, uma alimentação inadequada e que não fornece os nutrientes necessários à criança está associada a um maior risco de doenças e carências nutricionais que impactam diretamente no desenvolvimento e saúde infantil1.
Considerando as necessidades nutricionais das crianças nos primeiros dois anos de vida, a Organização Mundial da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam1,4:
- aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida;
- na impossibilidade do aleitamento materno, ofertar fórmula infantil adequada à faixa etária;
- introdução da alimentação complementar adequada a partir dos 6 meses;
- manutenção do aleitamento materno até dois anos ou mais;
- manter uma alimentação variada, incluindo alimentos com diferentes sabores e texturas;
- não oferecer alimentos com açúcar;
- não adicionar sal nos alimentos até os 12 meses;
- oferecer alimentos in natura ou minimamente processados, limitando os ricos em sal e/ou gorduras trans e saturadas;
- limitar o consumo de sucos de frutas no primeiro ano de vida;
- Estimular o comer responsivo, ou seja, práticas alimentares que incentivam a criança a comer de forma autônoma e em resposta às suas necessidades, respeitando a fome e a saciedade.
Após os dois anos de vida, é de extrema importância manter uma alimentação saudável e variada, assim como o respeito à fome e saciedade associado a refeições em ambiente adequado – sem distrações (televisão, tablet, celular, etc)1.
Seletividade e aceitação alimentar: como lidar?
Apesar da importância da alimentação na infância, alguns desafios podem surgir, principalmente após o primeiro ano de vida5.
Nesta idade, é comum que as crianças se tornem mais seletivas e o comportamento alimentar imprevisível e variável. Por isso, a aceitação das refeições pode variar muito, assim como as preferências e recusas alimentares1,5.
O que precisa ser sempre lembrado: a forma de lidar com esta situação, comum à idade, faz toda a diferença em como este comportamento irá evoluir1,5!
Quando os pais ou cuidadores acabam forçando a alimentação, cedendo às recusas e limitando as opções de alimentos oferecidos, essas alterações esperadas do comportamento podem se tornar dificuldades alimentares muito desafiadoras1,5.
Uma boa forma de contornar este cenário é garantir uma alimentação variada, responsiva e lúdica. Realizar refeições em família, incluir de forma ativa a criança no preparo dos alimentos e dar autonomia para que ela se alimente sozinha sem a pressão do adulto, são excelentes estratégias na formação de bons hábitos alimentares1,5.

Os nutrientes envolvidos no desenvolvimento cognitivo
A alimentação das crianças também é responsável por fornecer nutrientes importantes para o desenvolvimento neurológico, principalmente nos primeiros anos de vida - um período de rápido desenvolvimento e crescimento cerebral6.
Veja a seguir alguns nutrientes que não podem faltar na nutrição infantil quando o assunto é desenvolvimento:
Ferro
O ferro tem papel ativo na função cerebral e é fundamental no desenvolvimento cognitivo das crianças6,7.
As principais fontes alimentares de ferro são os alimentos de origem animal, tais como as carnes e os ovos, e os de origem vegetal, como as leguminosas e vegetais verde-escuros7.
Para otimizar a absorção do ferro, principalmente dos alimentos de origem vegetal, vale a pena incluir alimentos fontes de vitamina C (laranja, abacaxi, limão, acerola, mexerica, morango, etc) durante ou logo após as refeições. Em contrapartida, é importante evitar o consumo de cálcio junto a alimentos fontes de ferro7.
Ômega 3 (DHA)
O DHA é um tipo de ômega 3 fundamental para o crescimento e desenvolvimento infantil, uma vez que desempenha um papel crucial na formação e no funcionamento do sistema nervoso central8.
As principais fontes alimentares de DHA são os peixes, como a sardinha e o salmão, e as algas marinhas8,9.
Em alguns casos específicos, como bebês que não estão em aleitamento materno ou crianças que não consomem fontes alimentares suficientes deste nutriente, a suplementação pode ser necessária. Por isso, é importante a avaliação de um profissional habilitado para garantir um bom consumo de DHA durante a infância8.
Colina
A colina é essencial para a integridade da estrutura das membranas celulares e mielinização, assim como para o desenvolvimento adequado do cérebro e do sistema nervoso na infância6,10.
Por isso, boas fontes alimentares de colina, tais como ovos, leite, carnes e fórmulas infantis fortificadas, são essenciais para apoiar o desenvolvimento integral da criança11.
Zinco
O zinco também é um mineral essencial e que contribui para a estrutura cerebral e função cognitiva6,12.
Para garantir as principais fontes alimentares de zinco no dia alimentar das crianças, vale a pena incluir no cardápio as carnes, frutos do mar, oleaginosas, cereais integrais, leguminosas e leite12.
Como deve ser a rotina alimentar da criança?
De modo geral, é muito importante que as crianças tenham uma rotina bem estabelecida para as refeições ao longo do dia. A falta de rotina pode ser, inclusive, uma das causas da obesidade na infância1.
Por isso, é importante estabelecer horários para as refeições, evitando os “beliscos” ao longo do dia, além de um cardápio saudável e variado para toda a família1.
O café da manhã, os lanches intermediários e as refeições principais (almoço e jantar) devem fazer parte de um dia ativo, lembrando sempre do cuidado relacionado à exposição excessiva às telas. Durante as refeições, as telas não devem ser utilizadas13!
Dúvidas frequentes sobre alimentação infantil
Meu filho está comendo o suficiente?
Essa é uma dúvida campeã entre a maioria das famílias. De modo geral, as crianças possuem uma boa autorregulação e controlam bem os seus níveis de fome e saciedade1. Ou seja, elas comem quando e o quanto precisam, principalmente nos primeiros anos de vida.
Por isso, é importante priorizar uma alimentação responsiva desde o início da introdução alimentar. O comer responsivo estimula a autorregulação alimentar e apoia o desenvolvimento cognitivo, emocional e social1.
É importante manter o acompanhamento do peso, altura e desenvolvimento da criança, assim como a realização de exames laboratoriais solicitados por profissionais habilitados para avaliar e entender o estado nutricional de forma individualizada.
Como melhorar a aceitação alimentar do meu filho?
Principalmente para as crianças que estão em uma fase de maior seletividade alimentar, alguns pontos podem fazer a diferença para melhorar a aceitação dos alimentos, tais como: envolver as crianças na compra e preparo dos alimentos, usar estratégias lúdicas para ofertar os alimentos (formatos e talheres divertidos, por exemplo) e tornar a refeição um momento agradável e em família, sempre que possível.
Criança precisa tomar leite?
De acordo com as recomendações atuais, o grupo alimentar do leite e seus derivados pode estar presente após um ano de idade, com a continuidade da amamentação quando possível. Na impossibilidade do aleitamento materno, o consumo diário de leite de vaca deve ser incentivado1.
O leite é o principal alimento fonte de cálcio e de proteínas de alta qualidade. Assim, tem grande importância e contribui para um aporte nutricional adequado na infância14.
Para as crianças que não consomem alimentos de origem animal ou possuem algum tipo de alergia/intolerância alimentar, é de extrema importância receberem orientações para realizar a substituição deste grupo alimentar de forma adequada, garantindo um aporte adequado de nutrientes no dia a dia.
O que colocar na lancheira?
Uma alimentação adequada na escola é muito importante para a saúde, desenvolvimento, crescimento e aproveitamento escolar. Por isso, lembre-se sempre de garantir três grupos alimentares principais na lancheira1:
1) carboidratos: fontes de energia – pães, bolos caseiros, milho.
2) proteínas: animais e vegetais - queijos, iogurtes, ovos, leite, leguminosas e oleaginosas.
3) frutas ou legumes/verduras: frutas in natura, secas/desidratadas, tomate cereja, palitinhos de cenoura.
E os sucos, as crianças podem consumir?
De acordo com as recomendações mais atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria, os sucos devem ser oferecidos preferencialmente após os dois anos de vida15.
É importante ter atenção à quantidade máxima recomendada: 120 ml/dia para crianças de um a três anos, 175 ml/dia para crianças de quatro a seis anos e 240 ml/dia para adolescentes1.
Portanto, a nutrição infantil é um dos pilares para o desenvolvimento e o crescimento saudável, com impacto que se estende por toda a vida. Uma alimentação adequada garante, além do crescimento e desenvolvimento adequados, a prevenção de doenças e a promoção de hábitos alimentares saudáveis!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Confira os artigos científicos e referências técnicas:
[1] Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. 5ª edição – São Paulo, 2024.
[2] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
[3] Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Alimentação da criança de zero a cinco anos. Manual do Departamento de Nutrologia Pediátrica. 1ª edição. 2024.
[4] World Health Organization (WHO). Guideline for complementary feeding of infants and young children 6–23 months of age. Geneva: World Health Organization; 2023.
[5] Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia de Orientações – Dificuldades alimentares. Departamento Científico de Nutrologia. 2022.
[6] Roberts M, Tolar-Peterson T, Reynolds A, Wall C, Reeder N, Rico Mendez G. The Effects of Nutritional Interventions on the Cognitive Development of Preschool-Age Children: A Systematic Review. Nutrients. 2022 Jan 26;14(3):532.
[7] Marreiro DN, Chaves BMS, Sousa TGV, Oliveira EHS. Ferro – Série: funções plenamente reconhecidas de nutrientes. ILSI Brasil. 2024;2(3).
[8] Nogueira-de-Almeida CA, Ribas Filho D, Philippi ST, Pimentel CV de MB, Korkes HA, Mello ED de, Bertolucci PHF, Falcão MC. II Consensus of the Brazilian Nutrology Association on DHA recommendations during pregnancy, lactation and childhood. IJN [Internet]. 2022 Aug. 25;15(3).
[9] Almeida IMC, Souza JG, Alvarenga L, Damasceno NRT. Ácidos graxos – Série: funções plenamente reconhecidas de nutrientes. ILSI Brasil. 2024;2(3).
[10] Mun JG, Legette LL, Ikonte CJ, Mitmesser SH. Choline and DHA in Maternal and Infant Nutrition: Synergistic Implications in Brain and Eye Health. Nutrients. 2019 May 21;11(5):1125.
[11] European Food Safety Authority. Outcome of a public consultation on the Draft Scientific Opinion of the EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (NDA) on Dietary Reference Values for choline. EFSA Supporting Publications. 2016 Aug 1;13(8):1036E1036E.
[12] Cominetti C, Duarte GBS, Cozzolino SMF. Zinco – Série: funções plenamente reconhecidas de nutrientes. ILSI Brasil. 2024;2(3).
[13] Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação. #Menos Telas #Mais Saúde – Atualização 2024. Grupo de trabalho – Saúde na Era Digital. 2024.
[14] Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN). Consenso da Associação Brasileira de Nutrologia e da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição sobre o consumo de leite de vaca pelo ser humano. São Paulo: Setembro, 2023.
[15] Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização. Alimentação complementar para o lactente saudável – Ampliando as escolhas com evidências aplicáveis e sustentáveis. 2024.
PRODUTOS
Conheça nossos produtos
DICAS
Conteúdos exclusivos
RECEITAS
Queremos inspirar você! Por isso, reunimos receitas deliciosas com os melhores ingredientes.
SERVIÇOS
Você que é cliente, consumidor, fornecedor ou representante, esse espaço é para você!