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Bem-estar animal na fazenda leiteira: cuidado, eficiência e futuro produtivo

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Artigo escrito por Lívia Carolina Magalhães Silva Antunes (Diretora de Projetos de Leite da BE.Animal)
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Bem-estar animal na fazenda leiteira: cuidado, eficiência e futuro produtivo
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Na pecuária leiteira, a qualidade do cuidado oferecido aos animais revela muito sobre a maturidade técnica de uma fazenda. Cada decisão tomada na rotina, desde a colostragem à ordenha, da limpeza das instalações ao manejo da equipe, do conforto térmico ao controle das doenças, interfere diretamente na forma como vacas e bezerros vivem, respondem ao ambiente e expressam seu potencial produtivo. Por isso, o bem-estar animal não deve ser tratado como uma exigência externa, uma tendência de mercado ou um tema separado da produção, mas como um critério essencial para organizar sistemas mais eficientes, responsáveis e sustentáveis.

Durante muito tempo, o conceito de bem-estar animal foi reduzido à ausência de doença, à oferta de alimento e água ou à presença de abrigo. Essa leitura, embora ainda comum em muitas realidades, é limitada para compreender os desafios de uma pecuária leiteira moderna. Um animal pode não apresentar uma enfermidade evidente e, ainda assim, viver sob condições que comprometem seu conforto, sua segurança, seu comportamento, sua imunidade e sua capacidade de produzir, crescer ou se reproduzir de forma adequada. A ciência tem demonstrado, cada vez mais, que o bem-estar animal precisa ser avaliado de maneira integrada, considerando não apenas o corpo do animal, mas também as experiências que ele vivencia dentro do sistema de produção.

É nesse ponto que o conceito de “uma vida que vale a pena ser vivida” ganha importância. Essa expressão não romantiza a produção, nem ignora os desafios econômicos da atividade leiteira; ao contrário, ajuda o produtor a compreender que a qualidade de vida dos animais depende de condições concretas, observáveis e manejáveis. Uma vida que vale a pena ser vivida é aquela em que o animal tem suas necessidades atendidas, sofre menos experiências negativas, como fome, sede, dor, medo, calor, frio, frustração e desconforto, e encontra oportunidades reais para viver com mais saúde, segurança, conforto e previsibilidade.

Para transformar essa visão em prática, um dos modelos mais úteis é o dos Cinco Domínios do Bem-estar Animal. Esse modelo mostra que o bem-estar não depende de um único fator, mas da interação entre nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado mental. Aquilo que o animal come e bebe, o local onde vive, sua condição física, as oportunidades que têm para expressar comportamentos importantes e a forma como responde a tudo isso determinam a qualidade da experiência que ele vive dentro da fazenda. Em outras palavras, o bem-estar animal não está no que oferecemos aos animais, mas naquilo que essas condições produzem neles: medo ou segurança, dor ou alívio, desconforto ou bem-estar, frustração ou tranquilidade.

Na prática, esse olhar muda a forma como o produtor observa a rotina. Não basta perguntar se a vaca está produzindo leite, é preciso avaliar se ela consegue comer com tranquilidade, beber água suficiente, descansar em local confortável, caminhar sem dor, entrar na ordenha sem medo e conviver em um ambiente com baixa competição. Também não basta perguntar se o bezerro está vivo, é necessário observar se ele recebeu o colostro corretamente, se está alojado em local limpo e seco, se mama com vigor, se tem acesso à água, se cresce de forma adequada e se expressa comportamentos compatíveis com saúde e desenvolvimento.

Quando olhamos para a nutrição, por exemplo, fica claro que nenhum animal pode estar bem quando sente fome, sede ou quando não recebe alimento adequado às suas necessidades. Em vacas leiteiras, falhas nesse ponto podem aparecer como queda de consumo, menor produção, perda de condição corporal, maior risco de doenças metabólicas e pior desempenho reprodutivo. Nos bezerros, o impacto é ainda mais decisivo, porque as primeiras horas e semanas de vida influenciam diretamente a sobrevivência, a imunidade, o crescimento e o futuro produtivo da bezerra. Colostro de qualidade, fornecido no tempo e no volume corretos, programa de aleitamento bem planejado, água limpa desde os primeiros dias e alimento sólido de boa qualidade não podem depender do improviso.

O ambiente também precisa ser compreendido como parte ativa do cuidado. Piso, cama, sombra, ventilação, drenagem, espaço, limpeza e facilidade de acesso aos recursos interferem diretamente na saúde, no conforto e no comportamento dos animais. Uma vaca submetida ao estresse térmico tende a reduzir o consumo, alterar sua rotina de descanso, permanecer mais tempo em pé e comprometer seu desempenho produtivo e reprodutivo. Um bezerro mantido em ambiente úmido, frio, quente demais, mal ventilado ou com cama suja tem maior risco de adoecer e menor capacidade de crescer bem. Quando a estrutura não favorece o animal, a fazenda paga essa conta em forma de doença, perda de desempenho, maior uso de medicamentos e mais trabalho corretivo.

A saúde, por sua vez, precisa ser conduzida de forma preventiva, e não apenas reativa. Tratar uma mastite, medicar um bezerro com diarreia ou intervir quando uma vaca já apresenta dificuldade evidente de locomoção é necessário, mas uma fazenda tecnicamente madura trabalha para reduzir a frequência com que esses problemas acontecem. Doenças de casco, mastite, lesões, umbigo inflamado, pneumonia, diarreia, atraso no crescimento e escore corporal inadequado não devem ser vistos como eventos isolados ou inevitáveis, mas como sinais de que algum ponto do sistema precisa ser investigado, ajustado e acompanhado.

O comportamento dos animais oferece uma das leituras mais ricas sobre a qualidade do manejo, justamente porque os bovinos comunicam, o tempo todo, como estão respondendo ao ambiente e às pessoas. Vacas que caminham com calma, deitam-se com facilidade, ruminam tranquilamente, entram na ordenha sem resistência e interagem sem competição excessiva mostram que muitos aspectos da rotina estão funcionando bem. Bezerros que mamam com vigor, exploram o ambiente, brincam, descansam bem e demonstram curiosidade indicam boas condições de desenvolvimento. Por outro lado, fuga, apatia, vocalização intensa, medo da equipe, permanência prolongada em pé, disputa por recursos, dificuldade de locomoção ou isolamento excessivo são sinais que precisam ser interpretados com atenção técnica.

É justamente da combinação entre nutrição, ambiente, saúde e comportamento que se forma o estado mental do animal. Esse ponto é central, porque nos lembra que vacas e bezerros não são apenas organismos que transformam alimento em leite, crescimento ou reprodução, mas animais capazes de sentir medo, dor, sede, fome, desconforto, frustração, segurança, alívio e tranquilidade. Quando a fazenda reduz experiências negativas e amplia experiências positivas, ela não está apenas atendendo a uma demanda ética; está criando melhores condições para que os animais expressem seu potencial biológico.

Na criação de bezerros, essa compreensão é especialmente importante, porque o futuro do rebanho começa muito antes da primeira lactação. Uma bezerra não se torna uma boa vaca leiteira no dia em que entra na ordenha; ela começa a ser formada no parto, na colostragem, no alojamento, no aleitamento, na higiene dos utensílios, no controle sanitário, na possibilidade de interação social adequada e na forma como passa pelo desmame. Cada falha nessa trajetória pode limitar aquilo que essa fêmea será capaz de expressar mais adiante, enquanto cada acerto aumenta as chances de formar animais mais saudáveis, produtivos e longevos.

Por isso, a maternidade precisa ser limpa, seca, confortável, segura e monitorada, porque concentra um dos momentos mais sensíveis da vida do animal. A colostragem deve ser conduzida como protocolo estratégico, com atenção à qualidade, ao volume, ao tempo de fornecimento e à higiene. O bezerreiro, da mesma forma, precisa ser manejado com critério, porque baldes, mamadeiras, sondas, camas e baias podem se tornar fontes constantes de contaminação quando não há rotina adequada. O alojamento, seja individual, em pares ou em pequenos grupos, deve oferecer condições reais de saúde, conforto, movimento, contato social apropriado e segurança sanitária, sem se reduzir a uma escolha feita apenas por conveniência operacional.

No aleitamento, ainda é necessário superar a ideia de que economizar leite no início da vida é sempre uma decisão eficiente. Bezerros jovens têm alta exigência nutricional e dependem de um programa alimentar capaz de sustentar crescimento, imunidade, comportamento e bem-estar. O desmame também precisa ser entendido como processo, não como uma data no calendário. Retirar o leite de forma brusca, sem considerar consumo de alimento sólido, saúde, peso, idade e adaptação, aumenta o estresse e pode comprometer o desempenho justamente em uma fase delicada.

Com as vacas adultas, o mesmo princípio se aplica: bem-estar é construído na rotina. A vaca precisa comer, beber, descansar, caminhar, ruminar e ser ordenhada em condições que reduzam dor, medo, calor, competição e desconforto. A ordenha, por concentrar contato humano frequente e impacto direto sobre a produção, merece atenção especial. Vacas conduzidas com gritos, pressa, pancadas, choques ou medo não entram na sala da mesma forma que animais acostumados a uma rotina calma, previsível e tecnicamente bem orientada. O estresse prejudica a descida do leite, aumenta o risco de acidentes, dificulta o trabalho da equipe e compromete a experiência do animal.

Nesse processo, a equipe da fazenda ocupa papel decisivo. Não existe bem-estar animal consistente apenas com estrutura física ou protocolo escrito, se as pessoas que executam os manejos não forem treinadas, acompanhadas e orientadas. Muitas falhas nascem de tarefas feitas com pressa, falta de entendimento, ausência de rotina, comunicação deficiente ou tolerância a práticas inadequadas. Quando a equipe compreende que cada manejo interfere no animal e no resultado da fazenda, o cuidado deixa de depender da boa intenção individual e passa a fazer parte da cultura de trabalho.

Talvez a pergunta mais importante não seja se o bem-estar animal cabe na rotina da fazenda, mas quanto custa tratá-lo como algo secundário. Quanto custa uma falha de colostragem? Quanto custa uma bezerra que adoece nas primeiras semanas? Quanto custa uma vaca em estresse térmico durante vários meses do ano? Quanto custa uma claudicação identificada tarde? Quanto custa uma ordenha conduzida sob medo e resistência? Quando essas perguntas entram na gestão, o bem-estar deixa de ser visto como discurso e passa a ser reconhecido como critério de eficiência.

Começar não exige, necessariamente, grandes investimentos imediatos, mas exige observação, método e decisão. Avaliar a disponibilidade e a qualidade da água, revisar a rotina de colostragem, melhorar a higiene dos bezerreiros, reduzir práticas agressivas, ajustar o tempo de espera para ordenha, garantir sombra, observar escore de locomoção, registrar doenças, acompanhar ganho de peso e treinar a equipe são medidas possíveis e com grande impacto. Outras melhorias estruturais devem ser planejadas conforme a realidade de cada propriedade, mas nenhuma fazenda precisa esperar uma grande obra para começar a cuidar melhor.

O bem-estar animal, quando aplicado com seriedade, aproxima ciência e campo. Ele traduz conhecimento técnico em decisões práticas, melhora a leitura do produtor sobre os animais e fortalece a eficiência do sistema produtivo. Cuidar bem de vacas e bezerros é cuidar do presente e do futuro da atividade leiteira, reconhecendo que a fazenda se fortalece quando os animais vivem melhor, quando a equipe trabalha com mais consciência e quando as decisões deixam de ser tomadas apenas pela urgência do dia para serem orientadas por conhecimento, observação e responsabilidade. Bem-estar animal é cuidado essencial, não como adorno da produção, mas como um dos fundamentos de uma pecuária leiteira mais eficiente, mais ética e mais preparada para o futuro.

Leia também: Bem-estar e comportamento animal

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