Ordenha higiênica: aplique os protocolos de Pré e Pós-Dipping
A eficiência na unidade de produção leiteira depende da padronização dos processos na sala de ordenha. Mais do que entender os benefícios, é fundamental que a equipe operacional domine a técnica de aplicação dos antissépticos. O rigor na execução do pré e pós-dipping é o que determina a redução da pressão de infecção e a integridade da glândula mamária.
Confira o protocolo detalhado para implementação imediata na sua propriedade.
Pré-Dipping: antissepsia e preparo
O objetivo do pré-dipping é a redução da carga microbiana ambiental antes da extração do leite. A falha nesta etapa compromete a CPP (Contagem Padrão em Placas) e eleva o risco de mastite. Confira esse passo a passo operacional:
- Diagnóstico inicial (teste da caneca): antes de qualquer aplicação, realize o teste da caneca de fundo preto. Extraia os três primeiros jatos de cada teto para identificar grumos ou alterações. Caso detectada mastite clínica, segregar a matriz para tratamento e descarte do leite.
- Limpeza preliminar: os tetos devem entrar na linha de ordenha livres de matéria orgânica pesada. O uso de água é restrito a casos críticos (excesso de lama ou fezes), pois a umidade residual no úbere é um fator de contaminação. Se lavar, seque imediatamente.
- Aplicação por imersão: utilize um copo aplicador específico, sem retorno e adequado para o tipo de produto (imersão, espuma ou spray). Mergulhe o teto garantindo que toda a superfície e todos os lados estejam cobertos pelo antisséptico. A cobertura parcial anula a eficácia do protocolo.
- Tempo de contato do germicida: respeite o tempo de ação do princípio ativo conforme orientação do fabricante, geralmente entre 20 e 30 segundos. Esse intervalo é técnico e necessário para a eliminação adequada dos patógenos.
- Secagem e remoção de resíduos: use papel toalha descartável de uso individual (uma ou duas folhas por teto). A remoção completa da solução evita a presença de resíduos químicos no leite e garante a aderência das teteiras.
Pós-Dipping: selagem e barreira de proteção
Após a ordenha, o canal do teto permanece dilatado por aproximadamente 30 minutos. O pós-dipping atua eliminando bactérias contagiosas provenientes do equipamento e formando uma película protetora. Aprenda, na prática, esse protocolo:
● Imersão imediata: a aplicação deve ocorrer imediatamente após a desacoplação do conjunto de ordenha, antes que qualquer contaminante atinja o esfíncter mamário.
● Cobertura total: assim como no pré-dipping, a imersão deve cobrir todo o teto. O produto deve possuir características de barreira e agentes hidratantes (como glicerina) para manter a elasticidade do epitélio e prevenir fissuras.
Condições para o sucesso da técnica
Para que a ciência do dipping funcione na prática, alguns cuidados de manejo são fundamentais:
- Se os tetos estiverem com barro ou fezes, lave-os com água limpa e seque-os totalmente antes de iniciar o pré-dipping. Nunca molhe o úbere completo;
- Utilize as concentrações recomendadas (ex: Iodo 0,25% a 0,5% no pré e 0,5% a 1% no pós). Concentrações erradas podem causar irritações ou não eliminar as bactérias.
- Mantenha os produtos em locais frescos, arejados e protegidos da luz solar para preservar a estabilidade química dos ativos.
- Lave os copos aplicadores após cada ordenha. O acúmulo de resíduos compromete a eficácia do antisséptico.
Como escolher o antisséptico ideal?
A escolha do produto deve ser estratégica e baseada no perfil epidemiológico da propriedade:
● Desafio microbiológico: identifique, via exames laboratoriais, quais microrganismos são predominantes nos animais para escolher ativos com maior poder germicida específico.
● Fatores climáticos: em períodos ou regiões de baixa temperatura, priorize soluções com alta concentração de hidratantes para evitar o ressecamento e lesões de pele.
● Compatibilidade de ativos: verifique se o produto é compatível com os componentes de borracha e metal do sistema de ordenha para evitar a degradação prematura dos equipamentos.
● Conformidade sanitária: utilize exclusivamente produtos com registro nos órgãos de controle e dentro do prazo de validade.
A adoção rigorosa dos protocolos de pré e pós-dipping é o caminho mais curto para uma produção eficiente. Ao investir alguns segundos a mais em cada animal, você reduz o descarte de leite, economiza com medicamentos e entrega um produto de alto nível para o consumidor.
Lembre-se: para um leite de maior qualidade é preciso estar atento desde a ponta do teto, antes mesmo da primeira gota de leite cair no balde.
Quer ver como aplicar essas técnicas no dia a dia da sua fazenda? Confira o vídeo "A Importância do Uso do Pré e Pós-Dipping" em nosso canal. Nele, mostramos o passo a passo para você garantir uma ordenha impecável e proteger a saúde do seu rebanho. Clique aqui para assistir ao vídeo completo no YouTube!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Confira os artigos científicos e referências técnicas:
DA ROSA, Simao et al. Boas práticas de manejo ordenha. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/arquivos-publicacoes-bem-estar-animal/ordenha.pdf>. Acesso em: 29 mar. 2026.
REVISTA LEITE INTEGRAL. Guia completo do pré e pós dipping. Publicado em: 03 de maio de 2024. Disponível em: <https://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/guia-completo-do-pre-e-pos-dipping>. Acesso em: 29 de março de 2026.
FUNDAÇÃO ROGE. Pré-dipping e pós-dipping: grandes aliados da qualidade do leite. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.fundacaoroge.org.br/blog/pre-dipping-e-pos-dipping. Acesso em: 31 mar. 2026.
ORDENHA FÁCIL. Guia prático de pré e pós dipping na ordenha. [S. l.], 11 fev. 2026. Disponível em: https://conteudo.ordenhafacil.com.br/post/guia-pratico-pre-pos-dipping-ordenha. Acesso em: 31 mar. 2026.
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