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Planejamento de alimentos volumosos e segurança alimentar: o caminho mais curto para reduzir o custo da fazenda

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Artigo escrito por Christiano Nascif (Zootecnista e Diretor da Labor Rural) e Paulo Paiva (Médico Veterinário e Consultor da Labor Rural)
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Planejamento de alimentos volumosos e segurança alimentar: o caminho mais curto para reduzir o custo da fazenda
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Na atividade rural, o ato de planejar ainda enfrenta resistência por parte de produtores e até mesmo de alguns técnicos, principalmente devido às incertezas inerentes a um sistema produtivo dependente de variáveis climáticas e biológicas. De fato, trata-se de um modelo de negócio mais exposto a fatores incontroláveis quando comparado à indústria e ao comércio. No entanto, independentemente do segmento, a gestão eficiente é indispensável para a sustentabilidade do empreendimento, especialmente em um cenário de margens cada vez mais reduzidas e riscos crescentes.

Ao observar o início de 2026, nota-se um cenário de instabilidade nos mercados globais, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram os preços da energia e impactaram diretamente o agronegócio brasileiro. Insumos essenciais para a produção de volumosos, como fertilizantes e diesel, sofreram aumentos expressivos — o diesel apresentou alta real de 20,3% entre janeiro e março, enquanto os fertilizantes subiram cerca de 40%, com destaque para a ureia, que registrou aumento de 83%.

O custo de energia e combustíveis na produção de leite representa uma parcela relativamente pequena do custo operacional (7%), mas tem impacto direto no resultado da atividade. Isso acontece porque esses insumos estão presentes em etapas-chave, como a produção de volumoso e o transporte. Na silagem de milho, por exemplo, grande parte do custo está ligada ao uso de fertilizantes e ao consumo de diesel. Assim, mesmo não sendo o principal componente do custo total, a alta desses itens acaba pressionando o custo por litro de leite. No cenário atual, essa elevação pode gerar um aumento próximo de R$ 0,07 por litro produzido, considerando tanto a produção de volumoso quanto o transporte. 

Diante desse contexto desafiador, o planejamento de volumosos torna-se uma ferramenta estratégica fundamental. Ele permite antecipar problemas, orientar a tomada de decisão e gerenciar os riscos inerentes à atividade. Por ser um processo dinâmico, possibilita ajustes ao longo do tempo, contribuindo para maior eficiência produtiva e econômica.

Do ponto de vista produtivo, a escala de produção é um fator decisivo para a eficiência do negócio. Diferentemente do simples aumento da produção, a escala está relacionada à expansão da atividade com eficiência, mantendo o equilíbrio no uso dos recursos disponíveis. Já o aumento da produção, por si só, pode ocorrer sem ganhos de eficiência, resultando apenas em maior uso de insumos e elevação de custos, sem melhoria proporcional nos resultados. Em cenários de aumento de custos, o foco deve estar na identificação das ineficiências dentro da porteira, onde o produtor possui maior controle e capacidade de ação. Mesmo em momentos adversos, propriedades com boa gestão e planejamento consistente tendem a sofrer menos impacto nos custos, pois conseguem identificar e corrigir perdas com mais agilidade.

Nesse contexto, otimizar a produtividade passa, necessariamente, pela produção eficiente de volumosos, base da alimentação e da produção de leite. Não se trata apenas de produzir mais por área, mas de garantir qualidade, permitindo que vacas produtivas convertam esse alimento em leite com alta eficiência. O objetivo está em equilibrar a produção de alimento com o desempenho animal, buscando sempre o melhor resultado técnico aliado à viabilidade econômica, com base em informações concretas e bem analisadas.

A Tabela 1 apresenta a amostra de fazendas dividida em quartis, com base na produtividade de leite por hectare, um indicador-chave da eficiência no uso da terra, especialmente na produção de volumosos. O 1º quartil reúne os 25% de fazendas com menor produtividade, os quartis intermediários concentram os 50% seguintes, e o 4º quartil corresponde aos 25% com maior produtividade por hectare.

Nesse contexto, é fundamental destacar a importância da terra na composição do capital empatado na atividade. Em média, ela representa cerca de 61% do capital nas fazendas menos eficientes e 43% nas mais eficientes. Essa diferença reflete uma melhor eficiência no uso do principal recurso econômico da atividade: a terra.

Na prática, isso significa que propriedades menos eficientes imobilizam mais que o dobro de capital para produzir o mesmo litro de leite. Para compreender essa diferença, é necessário analisar como a terra é utilizada e ocupada, seja na produção de alimentos ou no nível de produtividade alcançado.

Dois indicadores técnicos se destacam: a produção por vaca em lactação, que passa de 16,98 para 30,45 L/vaca/dia, e a lotação, que evolui de 0,54 para 2,00 vacas em lactação por hectare. Isso evidencia que, para alcançar maior produtividade e intensificação por hectare, é fundamental investir na produção de volumosos, tanto em quantidade, permitindo maior número de animais por área, quanto em qualidade, favorecendo melhor conversão do alimento em leite.

Ao comparar os quartis, observa-se que os indicadores de gasto com volumosos em relação à renda e o custo por litro apresentam pouca variação. Isso indica que o ganho de escala ocorre de forma equilibrada, com eficiência, e não necessariamente com o menor custo. 

Como medida desse avanço, a taxa de giro, indicador de liquidez, aumenta de 29,6% para 57,19% entre os quartis 1 e 4, praticamente dobrando a geração de receita em relação ao capital empatado, o que se traduz em maior liquidez e capacidade de pagamento. Já sob a ótica da gestão de riscos, a lucratividade se destaca como indicador-chave, pois representa a margem disponível sobre o faturamento e funciona como um “colchão” para absorver oscilações de mercado. Nesse contexto, fazendas com maior escala apresentam níveis de lucratividade superiores, ampliando sua capacidade de enfrentar aumentos de custos, especialmente em cenários mais voláteis.

Por fim, a taxa de retorno sobre o capital com terra (TRCCT), principal indicador de eficiência, também apresenta diferença relevante: as fazendas do quartil 4, com maior produtividade por hectare, alcançam rentabilidade de 13,10%, frente a 3,8% no quartil 1. Esse resultado reforça que o uso eficiente da terra, aliado à adoção de técnicas que maximizem o potencial produtivo da lavoura, contribui diretamente para a produção de alimentos em quantidade e qualidade, fatores essenciais para viabilizar o aumento da escala de produção e a sustentabilidade econômica.

A partir da importância do uso eficiente da terra, é possível demonstrar como a produtividade impacta diretamente o custo por tonelada do alimento produzido. Fazendas com baixa produtividade (<35 t/ha) apresentam custo por tonelada 41% superior em comparação àquelas com maior produtividade (>50 t/ha). Esse resultado reforça que, além do planejamento do rebanho, é fundamental adotar um planejamento agrícola eficiente, com manejo adequado do solo, operações realizadas no momento correto e práticas que elevem a produtividade com equilíbrio de custos.

Diante disso, torna-se fundamental organizar o planejamento de volumosos de forma estruturada. O primeiro passo é definir o momento mais adequado para sua elaboração. Como o produtor de leite também exerce a função de agricultor, é importante considerar a lógica do calendário agrícola, que varia conforme a região e as condições climáticas locais. Assim, esse processo deve ser realizado previamente ao início do próximo ciclo produtivo, garantindo melhor organização e aproveitamento da safra.

Ele começa com a realização da análise de solo, que serve como base técnica para as decisões, e avança para a definição dos insumos necessários e das práticas de manejo que serão adotadas. O objetivo dessa etapa é garantir clareza sobre o que fazer, como fazer e quanto utilizar, permitindo maior eficiência e controle da produção principalmente pensando em atingir a produtividade almejada dentro da demanda projetada.

De maneira prática, o planejamento deve seguir os seguintes passos:

  1. Projeção do rebanho (base do planejamento)

O planejamento alimentar começa pela projeção do rebanho para os próximos 12 meses, sempre partindo da situação atual da fazenda.

Devem ser considerados os principais indicadores técnicos como idade ao primeiro parto, entrada de saídas de animais do rebanho, eficiência reprodutiva, dentre outros.

Objetivo: determinar quantos animais serão alimentados ao longo do período.

  1. Definição do tipo de volumoso

Com base na estrutura do rebanho e nas categorias animais, define-se o tipo de volumoso mais adequado.

Essa escolha depende de:

  1. Região e condições climáticas;
  2. Regime de chuvas;
  3. Sistema de produção (pasto, semi-confinamento ou confinamento);
  4. Exigências nutricionais de cada categoria.

Objetivo: escolher o alimento que apresente maior eficiência e viabilidade técnica e econômica para o sistema produtivo.

  1. Cálculo da demanda de volumoso

Com base nos parâmetros técnicos de consumo dos animais, é possível estimar a quantidade total de volumoso necessária para o sistema. Nesse cálculo, dois fatores devem ser considerados:

  1. O primeiro são as perdas ao longo do processo, incluindo ensilagem e fermentação, que podem representar cerca de 5%, além de uma redução de aproximadamente 20% na massa por razões fermentativas. 
  2. O segundo ponto é a necessidade de garantir a autossuficiência alimentar da propriedade. Para reduzir riscos associados a fatores externos, como problemas climáticos na próxima safra, recomenda-se manter um estoque adicional de pelo menos 30% acima da demanda estimada, evitando assim a falta de alimento.

Objetivo: consolidar a demanda alimentar anual do rebanho.

  1. Dimensionamento da área de produção

Com a demanda definida e o tipo de volumoso escolhido, calcula-se a área necessária para produção.

Ponto crítico: produtividade das áreas impacta diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda).

Objetivo: garantir que a oferta de alimento atenda à demanda do rebanho.

Adicionalmente a esta etapa podemos descrever mais dois planejamentos que estão intrinsicamente associados ao planejamento de alimentos volumosos que são o agrícola e orçamentário. 

O planejamento orçamentário envolve a organização estratégica dos recursos financeiros da fazenda. No que se refere às compras de insumos, o foco é buscar melhores condições de mercado, com compras estratégicas, priorizando, sempre que possível, aquisições à vista, que tendem a apresentar menor custo financeiro. O objetivo é otimizar os gastos e aumentar a eficiência econômica da atividade.

Além disso, o fluxo de caixa projetado é fundamental para organizar os pagamentos ao longo do ciclo produtivo. É importante considerar que o volumoso produzido será consumido ao longo do tempo, diluindo seu custo, enquanto os gastos com sua produção ocorrem, em grande parte, de forma antecipada e concentrada, afetando diretamente o caixa da fazenda. Esse entendimento permite evitar pressão financeira e melhorar a gestão dos recursos ao longo do período.

Portanto, o planejamento de volumosos se destaca como um dos pilares da eficiência produtiva e econômica. Ele assegura o fornecimento adequado de alimento ao longo do ano, reduz riscos de queda na produção e permite o uso mais estratégico dos recursos disponíveis. Ao alinhar a oferta de forragens à demanda do rebanho, o produtor consegue minimizar oscilações produtivas, planejar o crescimento da atividade e reduzir custos por meio de decisões mais antecipadas e assertivas, fortalecendo a competitividade e a resiliência do sistema produtivo.

Leia também: Calendário Forrageiro do Leite

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