Nutrição

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Formação de hábitos alimentares na infância

03 NOV 2017

Atualmente, a alimentação é vista como um dos fatores que contribui para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, que antes eram restritas à idade adulta. E é justamente na infância e na adolescência que os hábitos alimentares, o comportamento alimentar e mesmo a preferência por determinados tipos de alimentos, sabores e texturas são formados.

            É fato comprovado que alguns fatores que levam ao desenvolvimento da obesidade, por exemplo, são genéticos e não podem ser alterados, devendo ser apenas bem supervisionados. Fora estes, a família, a escola, os diferentes ambientes freqüuentados pela criança e a sociedade, principalmente no que diz respeito à cultura alimentar da região, exercem papel decisivo na formação do padrão alimentar que será carregado, salvo intervenções eficazes, pelo resto da vida.

            Por isso, é importante se atentar para alguns fatores desde o primeiro momento de inclusão de alimentos que não o leite materno, para que sejam formados hábitos alimentares saudáveis.

- Disponibilidade e preferência alimentar: a inclusão de novos alimentos na dieta da criança oferecerá a ela o contato com sabores antes desconhecidos, que podem causar estranheza ou apetecer desde o início. É importante manejar essas sensações, pois, se houver grande oferta de alimentos doces, por exemplo, o paladar da criança se acostumará a esse sabor, induzindo a um consumo excessivo de açúcar. Por outro lado, alimentos como frutas, legumes e verduras, que devem fazer parte do hábito alimentar e que possuem sabor característico, podem não ser bem aceitos numa primeira vez, mas devem voltar a ser oferecidos sucessivas vezes, em outros momentos, com outras formas de preparo e temperos, no intuito de estimular o consumo dos mesmos, já que, de maneira geral, as crianças tendem a preferir os alimentos oferecidos com maior freqüência e que estão mais facilmente disponíveis em casa ou na escola.

- Concordância entre família, escola e cuidador: é importante que o padrão alimentar saudável que está sendo instituído em casa, seja compartilhado pela escola e pelo cuidador da criança (babá, avó ou outro familiar), para que a criança entenda que aquele é o mais adequado, e não que algum dos ambientes está privando-o de determinados prazeres alimentares.

- Estrutura das refeições: o comportamento alimentar é um conceito que envolve qualidade e quantidade de alimentos ingeridos, frequência e local de realização de refeições, bem como a atmosfera presente em cada refeição. Assim, para que se forme um comportamento alimentar positivo, é fundamental estimular o fracionamento das refeições, o que corresponde a alimentar-se a cada 3-4 horas, e a realização do café da manhã; as refeições em família, já que o ato de comer também é social; e promover um ambiente tranqüilo durante as refeições, já que experiências não prazerosas podem induzir na criança aversão aos alimentos servidos na ocasião, e vice-versa.

- Influência dos pais e da família: o aprendizado a respeito do alimento ocorre não só pelas experiências vivenciadas pela criança e pelo que lhe é ensinado, mas também pela observação de outras pessoas que lhe sirvam de exemplo. Geralmente, este papel é desempenhado especialmente pelos pais, mas também irmãos, colegas e demais parentes. Assim, as preferências, a ingestão e a aceitação aos alimentos são bastante similares às apresentadas por tais pessoas, fazendo-se necessária a adesão de todos estes aos hábitos que estão sendo incutidos na criança, idealmente como um padrão alimentar positivo, mas em caso de empecilhos, pelo menos nos momentos de convivência com os  pequenos.

- Meios de comunicação: a televisão e a internet podem ser responsáveis não somente pela veiculação de propagandas atrativas de produtos de baixa qualidade nutricional, que gera a curiosidade por experimentar tais produtos, como também pela divulgação de conceitos errôneos sobre alimentação, nutrição e hábitos alimentares. Ademais, diversos estudos apontam relação entre assistir televisão durante as refeições e o menor consumo de frutas verduras e legumes, acompanhado de um consumo elevado de pizza, salgadinhos e refrigerantes, o que pode resultar em carências nutricionais e excesso de peso antes da idade adulta.

            É possível e necessário modular a formação de hábitos alimentares saudáveis desde o início da vida, com a finalidade de estabelecer um estilo de vida de menor risco para o desenvolvimento de uma série de doenças e relacionado à maior longevidade e melhor estado de saúde.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

RAMOS, M.; STEIN, L.M. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Jornal de Pediatria, v. 63, n.3, p.229-237, 2000.

ROSSI, A.; MOREIRA, E.A.M.; RAUEN, M.S. Determinantes do comportamento alimentar: uma revisão com enfoque na família. Revista de Nutrição, Campinas, v.21, n.6, p.739-748, nov./dez., 2008.

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